quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

"A visita do anjo"*

O ano está chegando ao fim. Teremos agora as festas de fim de ano, as comidas, os abraços, as confraternizações, os reencontros... E também as resoluções para o ano vindouro. Todo ano acaba sendo a mesma coisa, não? Tentamos fazer um balanço dos eventos mais significativos, pesamos as coisas boas, as ruins, e comumente nos deparamos com aquela pedrinha no meio do caminho: poxa, o ano se passou e ainda não consegui ______.
Você certamente já passou por isso – ou pelo menos conhece alguém que já! - quer muito fazer algo específico (talvez a hors-concours de meta para o ano novo seja perder peso!), mas por algum motivo, depois de 12 meses de níveis variados de motivação, não consegue. Sente-se frustrado, cansado, desanimado, mas... Há uma luz no fim do túnel! “Ano que vem, com certeza consigo. Farei o meu máximo!”
O post de hoje é uma homenagem às metas não cumpridas.
Bem, não exatamente uma homenagem às metas não cumpridas, mas um convite, para refletir sobre os nossos planos de ano novo, sobre determinados objetivos que nos impomos – alguns há anos – e sobre o porquê de, muitas vezes, não conseguirmos realizá-los. E como de praxe, trazer um pouquinho da biblioterapia para nos ajudar. 
 
*O título de hoje foi emprestado da autora Lya Luft, em crônica homônima no livro “Pensar é transgredir”.
Na crônica supracitada, um homem, atrasado para o trabalho, recebe uma visita inesperada: o anjo da morte. Fica indignado, acha que está muito cedo para ser levado, nem o avisaram! Tenta fazer um acordo, e o anjo da morte aceita com uma condição: não será levado se der três boas razões para tal:

“O homem aprumou-se, claro, ele sabia que ia dar certo, sempre fora bom negociador. Mas, quando abria a boca para começar sua ladainha de razões – muito mais que três, ah sim -, o anjo ergueu um dedo imperioso:
Espera aí. Três boas razões, mas... não vale dizer que seus negócios precisam ser organizados, sua mulher nem sabe assinar cheque, seus filhos nada conhecem da realidade. O que interessa é você, você mesmo. Por que valeria a pena ainda te deixar aqui por algum tempo?”
(LUFT, Lya. A visita do anjo. In: Pensar é transgredir. 3ª edição. Rio de Janeiro: Record, 2004.)

Essa crônica na verdade é ótima para diversas reflexões sobre nossas vidas, e não é que podemos encaixá-la também nas infames resoluções de ano novo? O quanto do que queremos é para nós mesmos? É algo que nos fará realmente felizes? É algum tipo de pressão da sociedade/pais/filhos/amigos/outros? Por que você quer conquistar isso em um ano? Quais seus reais motivos?
Claro, não me entenda mal! É ótimo pensar nos outros, ajudá-los, realizar algumas metas pensando em suas alegrias, mas também precisamos pensar em nós! Pensar em nosso bem-estar, em nossa felicidade, reservar um tempinho para nós mesmos, pois, como uma grande amiga minha me ensinou: se não cuidarmos de nós mesmos, como poderemos cuidar dos outros?

Então, de antemão, já desejamos ótimas festas, muita felicidade e um tempinho extra para pensar com cuidado e carinho nas resoluções de ano novo. 
 
Ah! Claro, também desejamos muitas e muitas leituras!

Obs: postagem sugerida por uma leitora do blog.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

"Laços de Família"

Dia Laranja - Vamos falar sobre a violência contra a mulher?

            De acordo com a Organização Mundial de Saúde, com uma taxa de 4,8 mil homicídios por 100 mil mulheres, o Brasil apresenta uma das taxas mais elevadas de feminicídio (morte de mulheres) no mundo, ocupando dentre um grupo de 85 países, a 5ª posição. Os dados podem parecer assustadores, mas não irrelevantes quando se debate sobre o assunto. É preciso gerar debates na sociedade e falar sobre o assunto sempre que possível, para que não caia às vias do esquecimento e para que as mulheres não sejam silenciadas.
Diante do preocupante contexto, foi criado há alguns anos pela ONU os “16 dias de ativismo” que visam alertar sobre a violência contra a mulher no mundo, data que vai de 25 de Novembro (Dia Internacional para a eliminação da Violência contra as mulheres) a 10 de Dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos). Iniciada um pouco antes no Brasil, por conta da opressão histórica vivenciada pela mulher negra no país, seu início no dia 20 de Novembro (Dia Nacional da Consciência Negra) visa alertar as pessoas e autoridades sobre as diversas situações de violência em que a mulher é exposta, expondo causas e consequências de tais atos. A Campanha funciona como uma forma de esclarecimento sobre o tema.
Da Lei:
Desde 2006, está em vigor no Brasil a Lei Maria da Penha que Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução Penal; e dá outras providências.” (Introdução do texto sobre a Lei Maria da Penha)
Recentemente o Conselho Federal de Psicologia lançou nota sobre o assunto que, modifica a atuação do Psicólogo em casos que sejam relatados formas de violência contra a mulher. Designa-se, assim, obrigatoriedade da quebra de sigilo profissional entre Psicólogo(a) e cliente, em outras palavras, é dever do profissional de Psicologia alertar as autoridades sobre quaisquer situações de violência sofridas pela mulher atendida:
“Aprovada pelo 16º Plenário do Conselho no sábado (26), a nota orienta a realização da comunicação externa (denúncia) se a vida da mulher – ou a de seus filhos, ou de pessoas próximas – estiver seriamente ameaçada.”

“No texto, a autarquia manifesta apoio à adoção, em caráter excepcional, dessa medida sem o consentimento da paciente diante de sério risco de feminicídio." (Confira em: http://site.cfp.org.br/cfp-divulga-nota-que-orienta-quebra-do-sigilo-profissional-em-casos-de-violencia-contra-a-mulher/ )
Título "emprestado" do livro "Laços de Família", de Clarice Lispector.
Trecho do capítulo "Devaneio e embriaguez duma rapariga":

"Oh, como estava humilhada por ter vindo à tasca sem chapéu, a cabeça agora parecia-lhe nua. E a outra com seus ares de senhora, a fingir de delicada. Bem sei  o que te falta, fidalguita, e ao teu homem amarelo!

Mas, finalmente a dificuldade de chegar em casa desapareceu: remexia-se agora dentro da realidade familiar de seu quarto, agora sentada no bordo de sua cama com a chinela a se balançar no pé.

E, como entrefechara os olhos toldados, tudo ficou de carne, o pé da cama de carne, a janela de carne, na cadeira o fato de carne que o marido jogara, e tudo quase doía. E ela cada vez maior, vacilante, túmida, gigantesca. Se conseguisse chegar mais perto de si mesma, ver-se ia inda maior, Cada braço seu poderia ser percorrido por uma pessoa, na ignorância de que se tratava de um braço, e em cada olho podia-se lhe mergulhar dentro e nadar sem saber que era um olho. E ao redor tudo a doer um pouco. As coisas feitas de carne com nevralgia. Fora o friozito que a tomara ao sair da casa de pasto."

Para saber mais, acesse:
http://www.onumulheres.org.br/wp-content/uploads/2016/04/MapaViolencia_2015_mulheres.pdf

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

"Subir pelo lado que desce"*


Dia Mundial de Luta contra a Aids
O Dia Mundial de Luta Contra a Aids, 1o. de dezembro, foi instituído pela Assembleia Mundial de Saúde, em outubro de 1987, com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). No ano seguinte, 1988, o Brasil aderiu à campanha, através de uma portaria assinada pelo Ministério da Saúde. O dia 1o. de dezembro é uma data simbólica que serve como um alerta sobre a Aids, com o objetivo de mobilizar a população acerca da doença e convidar todos a repensarem suas atitudes com as pessoas infectadas pelo HIV/Aids. Portanto, as atividades desenvolvidas nesse mês visam divulgar mensagens de solidariedade, tolerância, compaixão, compreensão, esperança e prevenção, além de incentivar novos compromissos com essa luta. 

Por que o laço vermelho?
O laço vermelho é o símbolo internacional de consciência sobre HIV e Aids, visto como esperança, apoio, solidariedade e comprometimento na luta contra a Aids. Foi criado em 1991, pela Visual Aids, grupo de profissionais de arte de Nova York, que queria homenagear amigos e colegas que tinham morrido ou estavam morrendo de Aids. 
 
HIV/Aids
A Aids é causada pelo vírus HIV, mas ser HIV positivo não é o mesmo que ter Aids. A Aids é um estágio mais avançada da doença, quando o sistema imunológico está bastante baqueado, ficando sujeito a doenças oportunistas, tais como a pneumonia. Por esse motivo, morre-se, não pela Aids por si só, mas por complicações geradas por essas outras doenças. Atualmente, a Aids não tem cura, um dos motivos pelos quais é tão importante proteger-se, tratar-se e acabar com o preconceito. 
 
Faça sua parte!
Faça o teste; previna-se; caso tenha HIV, cuide-se e tome os medicamentos. Supere os preconceitos, seja solidário, repeite, converse sobre, tire suas dúvidas. É importante frisar que a pessoa com HIV/Aids tem direito de levar uma vida igual à de todos, e que o convívio social melhora a qualidade de vida. O HIV não é transmitido por abraço, um aperto de mão e nem por beijo, mas principalmente por relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas e objetos cortantes, e pela amamentação. 

E a Biblioterapia?
*Título emprestado de uma crônica de Lya Luft no livro “Pensar é transgredir”.
A seguir, um trecho da crônica em questão, para reflexão:

“'Viver é subir uma escada rolante pelo lado que desce.' (…)
Poucas vezes me deram um símbolo tão adequado para a vida, sobretudo naqueles períodos difíceis em que até pensar em sair da cama dá vontade de desistir. Tudo o que a gente queria era cobrir a cabeça e dormir, sem pensar em nada, fingindo que não estamos nem aí... (…)
A escada rolante nos chama para o fundo: não dou mais um passo, não luto, não me sacrifico mais. Pra que mudar, se a maior parte das pessoas nem pensa nisso e vive do mesmo jeito, e do mesmo jeito vai morrer?
Não vive (nem morrerá) do mesmo jeito. Porque só nessa batalha consigo mesmo, percebendo engodos e superando barreiras, a gente também pode saborear a vida. Que até nos surpreende quando não se esperava, oferecendo-nos novos caminhos e novos desafios. (...)”
(LUFT, Lya. Subir pelo lado que desce. In: Pensar é transgredir. 3 ed. Rio de Janeiro: Record, 2004.)

Para saber mais:

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

"O rosto atrás do rosto"*


Vamos falar sobre suicídio?

Os dados atuais divulgados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) mostram que aproximadamente 800 mil pessoas cometem suicídio no mundo todo a cada ano, o que daria em média 1 morte a cada 40 segundos. No Brasil, entre 2010 e 2012, o índice feminino cresceu quase 18%. Entre as mulheres na faixa etária de 15 a 29 anos, o índice é de 2,6 por 100 mil pessoas, saltando para 10,7 entre a população masculina. Dentre esses dados, para cada caso fatal há ao menos 20 tentativas que não dão certo. Comparado a acidentes de trânsito (maior causa de mortes no mundo), indica-se que, em segundo lugar, o fator suicídio é responsável por 7,3% das mortes no Brasil.
Os dados são alarmantes, porém é evidente que a correria do dia a dia pode influenciar direta ou indiretamente no agravamento desses sintomas, desencadeando transtornos psíquicos ao longo da vida. Quadros de ansiedade generalizada, síndrome do pânico, depressão e abuso de álcool, entre outros transtornos são mais comuns do que pensamos. Por mais que não seja um caminho simples, devemos pensar em como somos afetados e como nos deixamos afetar pelo contexto que nos cerca, estando atentos a pequenos sinais de dor ou cansaço psíquico e utilizando-nos de ferramentas eficientes para evitar transtornos maiores. 
Às vezes, é preciso se desligar ou se religar com os sentidos e sentimentos. Além disso, a terapia pode ser uma boa escolha para quem busca um stop do dia a dia, assim como permite o acesso a novas perspectivas sobre determinadas situações, funcionando como uma descarga de emoções e de ressignificações. Nesse contexto, a Biblioterapia é uma ótima ferramenta, principalmente em grupo, pois permite que os participantes conversem e troquem entre si, aliviando suas angústias, encontrando amparo e buscando novas soluções para seus problemas.
Quer saber mais sobre a Biblioterapia? Fale conosco!
Contatos:
Celular/WhatsApp/Telegram: 99438-2396
 
Para saber mais:
*Título emprestado do conto de Marina Colasanti, no livro "Doze reis e a moça no labirinto do vento", também no nosso acervo.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

"O menino Nito"*


Depois do Outubro Rosa, chegamos ao Novembro Azul, mês de conscientização sobre a importância da prevenção do câncer de próstata. O movimento começou em 2003 na Austrália, devido ao Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, 17 de novembro. O azul é a cor oficial do símbolo de combate a esse câncer.
Dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer Jośe Alencar Gomes da Silva) afirmam que, no Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, ficando atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. É uma doença que ocorre principalmente em homens mais velhos, em que três quartos ocorrem com mais de 65 anos, sendo raro antes dos 40 anos. Ter um pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos pode aumentar o risco de ter a doença, então atenção! Se for o caso, o aconselhável é começar a prevenção a partir dos 45 anos, mas se não houver casos na família, o ideal é uma visita ao urologista anualmente, a partir dos 50 anos para exames de rotina.
O exame físico (toque retal) leva apenas 10 segundos e tem o objetivo de analisar a consistência e o tamanho da próstata, verificando se existem lesões palpáveis. Junto a ele, realiza-se o exame de sangue PSA (antígeno prostático específico), que pode identificar o aumento de uma proteína produzida pela próstata – um indício da doença. É importante lembrar que a detecção precoce da doença está atrelada a melhores chances de cura e tratamentos menos invasivos.
Ainda segundo o Inca, já foi comprovado que uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, com menos gordura, ajuda a diminuir o risco de câncer. Além disso, também recomenda fazer exercícios físicos, manter o peso ideal, diminuir o consumo de álcool e não fumar, para levar uma vida mais saudável, com menores chances de ter a doença.
No início, o câncer de próstata tem uma evolução silenciosa – sem sintomas ou com sintomas semelhantes ao do crescimento benigno da próstata (dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou a noite). Na fase avançada, pode provocar dor óssea, sintomas urinários, infecção generalizada ou insuficiência renal.

Onde a Biblioterapia se encaixa?
*Nosso título do post de hoje foi “emprestado” de um livro infantil de mesmo nome, da autora Sonia Rosa. 
Você já leu?
O livro pode ser infantil, com linguagem simples e lindas ilustrações de Victor Tavares, mas uma leitura mais atenta nos mostra um probleminha que encontramos muitas vezes em pessoas de diferentes idades – principalmente homens:

“Certo dia o pai o chamou num canto e lhe falou muito sério:
-Nito, meu filho, você está virando um rapazinho... Já está na hora de parar de chorar à toa. E tem mais: homem que é homem não chora! Você é macho! Acabou o chororô de agora em diante, viu?
O menino ouviu tudo calado, assustado, e ficou pensando nas frases: ‘acabou o chororô!’ ‘homem não chora!’ ‘você é macho!’
E agora, Nito?
Que fazer com aquelas lágrimas que havia guardado para ‘aquelas horas’?
É... pois é... Nito só tinha uma única saída: engolir todos os choros que tivesse que chorar. Pronto! Estava resolvido!”
(ROSA, Sonia. O menino Nito: então, homem chora ou não? 4 ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2008.)
 
Estava realmente resolvido? Isso resolve alguma coisa? Guardar nossos sentimentos, por preconceito ou medo, nunca dá certo – nem para nós e nem para Nito.
A Biblioterapia busca justamente essa identificação da pessoa com os personagens, para que ela possa dar voz aos seus sentimentos mais ocultos. Nem sempre de forma tão explícita como na história que acabamos de ver. Muitas vezes, essas identificações partem do próprio sujeito, que acaba fazendo associações que ninguém mais faz. Vamos tentar? Que tal descobrirmos juntos o desfecho da história de Nito?
Se interessou? Venha participar do nosso grupo! Informe-se via e-mail: largodabiblioterapia@gmail.com ou por celular/WhatsApp/Telegram: 994382396

Para saber mais: